sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O REI QUE CORTAVA MANGUEIRAS















Foto Gianni de Luca


O REI QUE CORTAVA MANGUEIRAS

José Edimar

 

Num tempo muito remoto

Nos confins da cordilheira,

Em um antigo reinado

Perto dum pé de mangueira,

Dois irmãos se enfrentavam

Numa luta carniceira.

 

Essa luta era pesada

Quase sempre acontecia,

Só por causa de trabalho

Quando o dia amanhecia,

Começavam nessa arenga

Dia a fora se estendia.

 

Antônio era um caçador

E brigava com o irmão,

Que amolava as espadas

Sem ter outra ocupação,

Para cortar as mangueiras

Esse se chamava João.

              01

Da manhã ao meio dia

Numa luta tão pesada,

A espada ele amolando

A tarde ia pra jornada,                                                               

Cortando pés de mangueiras

Sobre o gume da espada.

               

Antônio falava sempre:

Isso não dá resultado,

Cortar os pés de mangueiras

Que além de ensombrado,

Todo fruto que dá nele

Tem tanto te alimentado.

 

Porém João lhe respondia:

– Nada disso meu irmão                       

Só corto pés mangueiras

Porque sou um valentão,

Quero gastar energias

Sem arranjar confusão.

 

-- Pois se eu ficar parado

Sem ter nada pra fazer

Preciso ir caçar brigas

Para meu corpo aquecer

E cortando estas mangueiras

Posso minha ira conter.

               02

E dizia não ter medo

Nem de espírito do além,

Que se viesse assombrá-lo

Era assombrado também,

Porque não veio pra o mundo

Pra ter medo de ninguém.

                  

– Sou um sujeito valente

Pode em mim acreditar,

Sendo dez homens é pouco

Pra na luta me enfrentar,

Qualquer batalhão chegando

Preso não vão me levar.

                

Antônio ficou calado

E saiu para a caçada,

Porém consigo pensando:

– Pabula e não vale nada,

Pois na hora do perigo

Esquece até da espada.

 

Quando chegou lá no mato

Destinou-se para andar

Viu que era dia da caça

Depois de tanto caçar

Pois estava muito exausto

Sem uma caça encontrar.

              03

Ficou ali descasando

E mais tarde despertou,

Passou a mão sobre o rosto

Um portão grande avistou,

Aberto na sua frente

Sem pensar duas vezes entrou.

 

Na frente viu outra porta

Entrou nela novamente,

Lotada de ferramentas

Preferiu seguir em frente,

Passando meio apressado

Mas vendo o suficiente.

 

Cada porta que ele abria

Via uma imensa grossura,

Sendo metal amarelo

Bem fornida em espessura,

Com a chave presa dentro

Da enorme fechadura. 

                       

Apareceram mais portas

Ele ia abrindo e passando,

Por causa da claridade

De longe foi avistando,

Uma belíssima coroa

Numa vitrine brilhando.

                04

Ficou muito admirado

Nela desejou tocar,

Mas preferiu ir em frente

Noutra sala foi parar,

Mas a curiosidade

Queria lhe dominar.

               

Avistou mais ferramentas

E armamentos guardados,

Enxadas e roçadeiras

Arco de flechas, arados,

Lançadeiras, armaduras

Facões foices e machados.

 

Ouviu vozes lhe chamando

Quando uma porta se abriu,                                

Chegando um vento tão forte

Que Antonio não conseguiu,

Segurar-se e arrastado

Dentro do quarto caiu.

 

As luzes foram acesas

Que muito claro ficou,

No centro daquela sala

De longe ele avistou

Uma múmia sobre a mesa

Que Antônio quase gelou.

               05

A porta ali se fechou            

Não tinha como correr,

A múmia mexeu com a mão

Que fez seu corpo tremer,

E cair numa banheira

Sem nada poder fazer.

                 

Levantou-se já molhado

Nisso a múmia se mexia,

A perna e a mão esquerda

E ele ali não corria

Pensando: o bicho me pega

Seu corpo inteiro tremia.

 

A múmia lhe agarrou

Dando nele um pulo certo,

Mas não viu o rosto dela

Pois mantinha-se coberto                                       

Lamentou muito não ter

Uma espada ali por perto.

                 

Brigaram por uma hora

Lutando pra se soltar,

Sentiu um forte perfume

Que invadia o lugar,

Um delicioso aroma

Que chegava inebriar.

                06

Naquela hora se achava

Completamente vencido,

Aquele perfume forte

Tirava dele o sentido,

Que talvez no Oriente

 Não achasse um parecido.

                 

Não resistindo exclamou:

– Será um reino encantado!

Não conheço esse palácio

Onde tanto tenho andado,

Não me lembro coisa alguma

Nem aqui já ter passado.

 

Isso é coisa do outro mundo

Meu Deus te peço amparo,

Tenha de mim piedade

Obediência a ti declaro,

Porque não quero pagar

O que devo assim tão caro.

 

Enquanto Antônio gritava

Algo ali aconteceu,

Uma pequena raladura

No braço a múmia sofreu,

E houve transformação

Logo o dia amanheceu.

                  07

Sendo tudo transformado

Numa tremenda beleza,

A múmia que era defunta

Tornou-se linda princesa,

Aqueles quartos escuros

No Palácio a realeza.

 

Mas pelas damas da corte

Foi à princesa levada,

Antônio ficou sozinho

Numa tristeza danada,

Levaram-lhe pra vestir-se

Também com roupa adequada.

                  

 Foi Antônio conduzido

Para um quarto reservado

Onde havia lindas roupas

Onde ele foi bem trajado,

Parecendo com o príncipe

Daquele reino encantado.

 

Foi ao quarto da princesa

Sentiu chegar novo dia,

A princesa bem trajada

Radiante de alegria,

Recebeu-lhe como rei

Com beleza e simpatia.

                08

Foi logo lhe agradecendo

Por tudo que havia feito,

Desencantando seu reino

Assim ganhado o direito,

Se quisesse ser o rei

Seu nome seria aceito.

 

Mas faltava uma coisa

Ela pediu insistente,

Pra que o encanto deixasse

O reino completamente,

Precisava a mesma ação

Mas feita por um parente.

                

Porque tinha uma irmã

Que estava ainda encantada,

Se não tivesse um parente

Pra terminar a jornada,

Todo esforço até ali

Não teria valido nada.

                

Faltava apenas três dias

E precisava resolver,

Pra não voltar o encanto

quando o prazo se vencer,

Que depois disso não havia

Nada mais para fazer.

               09

Enquanto estiver comigo

Se esforce pra lembrar,

Se tem um parente próximo

Preciso que vá buscar,

O mesmo que você fez

Ele tem que enfrentar.

               

Os três dias passarão

Numa grande rapidez,

Nosso reino corre o risco

Assim encanto se fez,

Não resolvendo o problema

Volta tudo outra vez.

 

Se você tiver irmão

Deve buscar bem ligeiro,

Pra terminar o que falta

É como um tiro certeiro,                        

Não dar pra cometer falha

Tem que agir como guerreiro.

                   

Conseguindo resolver

Vamos ter felicidade,

Se perdermos não seremos

Uma nação de verdade,

Para sempre sofreremos  

A cruel fatalidade.

               10

Antônio disse não tenho

Nenhum amigo ou irmão,

Esqueceu completamente

Até das brigas com João,

Pra desencantar o reino

Pensou não ter solução.

 

Não lembrando do irmão

A princesa aperreou – se,

Começou fazer perguntas

Pra lembra seja o que fosse

Quando falou em mangueiras

Aí Antônio lembrou – se.

                

E logo gritou afoito

Dizendo: tenho um irmão

O cortador de mangueiras

Que é o rei da confusão,

Com certeza não virá

Por nenhuma condição.

 

João não serve pra nada

Pois nunca quis trabalhar,

Todo serviço que faz

É a espada amolar,

Passando o dia inteiro

Para as mangueiras cortar.

             11

A princesa satisfeita

E muito mais animada,

Disse: Traga o valentão

Que a luta vai ser pesada,

Vai ser ele o vencedor

Porque é bom na espada.

                  

Antônio saiu às pressas

Para buscar seu irmão,

Quando saiu do palácio

Notou a transformação,

Estava na mesma sombra

Sentado naquele chão.

 

Ele olhou pra todo lado

Mas só enxergava mato,

Ficou pensando: foi sonho

Mas dava a mente o relato,

Mostrando toda clareza

Vinha tristeza e maltrato.

                 

Lembrou-se da sua princesa

Ficou muito pensativo,

Aquele acontecimento

Dentro dele estava vivo,

Voltar novamente ao reino

Era o seu objetivo.

               12

Foi à casa onde morava

Pra tentar se convencer,

O cortador de mangueiras

Lhe ouviu mas não quis saber,

Dizendo: daqui não saio

Quero cumprir meu dever.

                  

Antônio não conseguiu

Nada que o convencesse,

Falar de reino encantado

Não despertava interesse,      

Tinha que apresentar algo

Que a João amolecesse.

 

Naquilo Antônio lembrou-se

Daquelas lindas espadas,

Que avistou naqueles quartos

De ouro bem cravejadas,

Pensou: João não resistirá

Para vê-las amoladas.

 

Disse João: vim te buscar

Porque andando encontrei,

Um quarto cheio de espadas

Quando vi eu me lembrei,

De te trazer mas não pude

Lá mesmo onde vi deixei.

                13

João ficou ligeiro eufórico

Porém temendo perigo,

Disse: nunca houve um dia

Que eu não brigasse contigo,

Vem querer me dar presente

Acreditar não consigo.

 

O irmão falou de novo:

– Tenta me compreender,

Se isso não for verdade

O que tu podes perder,

É o tempo de ir e vir

Se nada puder trazer.

                

– Lembra que tuas espadas

Já afinaram o bastante,

De tanto serem amoladas

Como é que te garante,

Um bom corte nas mangueiras

Como será mais adiante.

               

E tu trazendo as espadas

Tudo vai ser diferente

Se fizer competições

Quem ganhará certamente

Quem tiver espadas novas

Que será o mais valente.

              14

Depois de pensar um pouco

João disse: tu tens razão,

Até agora foi sozinho

Que enfrentei a profissão

Mudarei de hoje em diante

Vou reunir multidão.

 

E disse: vamos embora

Foi empurrando o irmão,

Só pensava nas espadas

Prestando pouca atenção,

Chegaram encontraram abertas

A entrada do portão.

 

João avistou uma porta

Recuou pra não entrar,

Para enganar seu irmão

Antônio fingiu passar

Voltando a porta fechou

Ainda ouviu João gritar.

 

Tentando sair não pôde.  

A andar continuou,

Quando avistou as espadas

Dez na cinta ele amarrou,

Quando avistou a coroa

Na cabeça colocou.

               15

Pondo ela em sua cabeça

Amarrou como podia,

Dizendo: essa aqui é minha

Lutarei com valentia

Mas serei rei do reinado

Minha espada é garantia.

               

 Na frente viu outra porta

Por ela foi logo entrando,

Tudo quanto ele avistava

Amarrava pendurando,

Ficou num peso tremendo

Mas continuou levando.

               

Gritando por seu irmão

Quando as luzes se acenderam,

Na sala viu um defunto

Todos seus membros tremeram,

Também os braços e pernas

Daq1uela múmia mexeram.

             

Começou chamar o irmão

E jogar as coisas fora,

Ficou espada e coroa

Ele querendo ir embora,

A múmia deu-lhe um abraço

Quase que morre na hora.

                16

A múmia encolheu a perna

Depois a outra também,

Começou seu desespero

Agitado a mais de cem,

Saiu correndo e gritando

Antônio o bicho já vem!

                 

Fugindo daquela múmia

Ligeiro como uma bala,

Quando um cheiro de perfume

Encheu toda aquela sala,

João num medo tão terrível

Engasgou perdeu a fala.

 

Porém corria e pensava

Meu Deus que perfume é esse,

Durante a vida inteira

Não senti um cheiro desse,

Com tanta suavidade

Que todo lugar enchesse.

 

Com a múmia lhe agarrando

Quis sair não conseguiu,

Sua espada da cintura

No momento escapuliu,

E quando caiu no chão

A mão da múmia feriu.

                17

Tudo ali se transformou

Como já era esperado,

A luta foi no escuro

Mas havia clareado,

João não percebeu por que

Estava ali desmaiado.

               

O reino desencantou-se

Todos estavam gritando,

De coroa na cabeça

Foi ali João despertando

Já saudado como rei

Quando estava levantando.

             

Avistando as princesas

Que estavam desencantadas,

Percebeu tanta beleza

Parecendo santas ou fadas,

João foi descobrindo ali

Perder tempo com espadas.

  

A primeira princesinha

Chamava-se Angelina,

Essa parecia um anjo

Duma beleza tão fina,

Ainda era muito jovem

Tinha o rosto de menina.

                18

 A segunda parecia

Com uma santa em andor,

Quem olhasse já sentia

No coração muito amor,

Essa se chamava Rosa

Era linda como a flor.

               

João jamais tinha sonhado

Ficar junto com princesa,

Foi levado ao vestuário

Vestira-o de realeza

Não se afastou da coroa

Estava na sua defesa.

 

Para começar a festa

Foram todos pra o salão

Onde escolheriam o rei

Pra governar a nação

A princesa fez Antônio

Tomar essa decisão.

                              

Antônio encostou-se a João

Mantendo ele aberturado,

Pela gola perguntando:

Quer governar o reinado,

Vai fazer tudo direito

Depois que for coroado.

              19

João ali fez juramento

Dizendo que sempre quis,

Ser rei ter autoridade

Fazer seu povo feliz,

Também casar com princesa

E governar o país.

 

Novamente Antônio voltou

Pra falar naquele instante,

Dizendo: João é o rei

Do reinado de hoje em diante

Todos ali aplaudiram

Foi muito emocionante.

 

Celebrou-se em poucos dias

Dos casais o casamento,

Antônio com Angelina

Com todo merecimento,

E João casou com Rosa

Com grande contentamento.

 

Antônio o bom caçador

Não precisou mais caçar,

Depois do seu casamento

Começou a viajar,

Com sua linda esposa

Foi viver sem trabalhar.

                20

Foram conhecer o mundo

Que a princesa desejava,

Por que viveu encantada

Sem saber o que passava,

Muitos anos no passado

Pouca coisa se lembrava.

 

Pois Antônio agora estava

Na vida que mais queria,

Viajar e ser feliz

A princesa em companhia,

Não faltava era motivo

Para sentir alegria.

 

João sendo rei escolhido

Não podia se ausentar,

Tendo a princesa de lado

Precisava governar,

O povo esperava dele

Como iria trabalhar.

 

João sentando-se no trono

Tomou logo a decisão,

Para alegrar sua corte

A grande competição,

Cortadores de mangueiras

Houve grande animação.

               21

Começou plantar mangueira

No reino pra todo lado,

Convocou um grande exército

Todo mundo bem treinado,

Pra essa competição

Tinha que ser preparado.

 

Treinamento e exercício

Era o corte das mangueiras,

Preparou competições

Formando grandes fileiras,

Os troncos que eles deixavam

Servia como trincheiras.

 

Ficaram então conhecidos

Exército de valentões,

Nas batalhas em campo livres

Ou grandes competições

Não perdiam pra ninguém

Sempre foram os campeões.

 

João ficou bem conhecido

Por cortador de mangueira,

Sendo agradável com o povo

Pois era um rei de primeira,

Muito alegre e cordial

Que amava a brincadeira.

              22

O reino foi garantido

Vivendo assim bem seguro

O exército preparado

Nunca passou por apuro

E ainda preservaram

A manga para o futuro.

 

Foi a partir do seu reino

Que essa fruta apareceu,

Conhecida no Nordeste

Quem dessa fruta comeu,

Mesmo passando cem anos

Dela nunca esqueceu.

 

Tem cheiro maravilhoso

Pra comer é saborosa

Adoro a peito de moça

Espada, cajá e rosa.

Tem grande variedades

Cada qual a mais gostosa.    

 

Essa fruta abençoada

Engrandece meu país,

Cada terreno comprado

Um belo plantio eu fiz

Que mangueira carregada

Faz nordestino feliz. - FIM

             23

 

 



























































           



Sebastião Dias


Repentista do Seridó é eleito prefeito em Pernambuco



Único repentista eleito prefeito no País, Sebastião Dias Filho (PTB) derrotou uma oligarquia em Tabira (Sertão do Pajeú, a 405 km do Recife), governada por Dinca Brandino (PSB) com mãos de ferro. O socialista, que concorria à reeleição, prometeu, caso se elegesse, comprar todas as violas do comércio da cidade para quebrar na frente da casa do poeta. Não deu certo: Sebastião se elegeu e ultrapassou o adversário com 487 votos de frente.

Natural de Ouro Branco-RN, Sebastião Dias Filho reside na cidade de Tabira desde a década de 70. Lá casou-se com a médica veterinária Leda Melo, com quem teve três filhos: Allan, José Ivan e Ana Jacy. Sebastião, além de poeta-repentista também é formando e pós-graduado em história e atualmente exerce o cargo de vereador pela segunda vez naquele município.

O candidato concorreu ao cargo de chefe do Executivo Municipal tabirense pelo Partido Trabalhista Brasileiro e contou com o apoio dos Senadores Armando Monteiro, Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa.

Do Blog: O futuro prefeito residiu em Caicó parte de sua adolescência. Na cidade ainda residem irmãos, sobrinhos e primos. Sebastião é tio de Edna Santiago que concorreu ao cargo de vereadora em Caicó nas últimas eleições.


Fonte:
www.GLAUCIALIMA.com

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

II FESTIVAL DE VIOLEIROS DE TIMON - MA.


















O II Festival de Violeiros de Timon, será realizado no dia 03 de Novembro de 2012, na praça São Benedito na rua 15 do Bairro São Benedito em Timon Maranhão. O festival é uma realização da ASPOPOT - Associação dos Poetas Populares de Timon e Região dos Cocais. O evento contará com a participação de 08 duplas de cantadores repentistas, são 16 poetas que embalarão os corações dos admiradores da poesia popular em forma de repentes na praça. Entrada livre e para todas as idades

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A LÓGICA DA FREIRA

A LÓGICA DA FREIRA


















             Freira levanta o hábito – para fazer o lógico
Duas Freiras saíram do convento para vender biscoitos. Uma é a Irmã Maria e a outra é a Irmã Léia.
Irmã Maria: Está ficando escuro e nós ainda estamos longe do convento!
Irmã Léia: Você reparou que um homem está nos seguindo há uma meia hora?
Irmã Maria: Sim, o que será que ele quer?
Irmã Léia: É lógico! Ele quer nos estuprar!
Irmã Maria: Oh, não! Se continuarmos neste ritmo, ele vai nos alcançar, no máximo em 15 minutos. O que vamos fazer?
Irmã Léia: A única coisa lógica a fazer é andarmos mais rápido!
Irmã Maria: Não está funcionando.
Irmã Léia: Claro que não! Ele fez a única coisa lógica a fazer. Ele também começou andar mais rápido.
Irmã Maria: E agora, o que devemos fazer? Ele nos alcançará em 1 minuto!
Irmã Léia: A única coisa lógica que nos resta fazer é nos separarmos! Você vai para aquele lado e eu vou pelo outro. Ele não poderá seguir nós duas ao mesmo tempo.
Então, o homem decidiu seguir a Irmã Léia. A Irmã Maria chegou ao convento, preocupada com o que poderia ter acontecido à Irmã Léia. Passado um bom tempo, eis que chega a Irmã Léia.
Irmã Maria: Irmã Léia! Graças à Deus você chegou! Me conte, o que aconteceu!!!
Irmã Léia: Aconteceu o lógico. O homem não podia seguir nós duas ao mesmo tempo, então ele optou por me seguir.
Irmã Maria: Então, o que aconteceu?
Irmã Léia: O lógico! Eu comecei a correr o mais rápido que podia e ele correu o mais rápido que ele podia, também….
Irmã Maria: E então?!
Irmã Léia: Novamente, aconteceu o lógico! Ele me alcançou!
Irmã Maria: Oh, meu Deus! O que você fez?
Irmã Léia: Eu fiz o lógico! Levantei meu hábito.
Irmã Maria: Oh, Irmã Léia! E o que o homem fez?
Irmã Léia: Ele também fez o lógico: abaixou as calças!
Irmã Maria: Oh, não! O que aconteceu depois?

Irmã Léia: Não é óbvio, Irmã Maria? Uma freira com o hábito levantado consegue correr muito mais rápido que um homem com as calças abaixadas!














           Homem com as calças abaixadas – para fazer o lógico
Se você pensou em outro fim para a história, reze:
188 AVE-MARIAS e 309 PAI-NOSSOS
E peça a Deus para limpar a sua mente poluída! E não se esqueça de rezar, e muito! Porque eu estou rezando até agora.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A LENDA DA MÃE E ORIGEM DA CANTORIA DE VIOLA


MINGO, 8 DE MAIO DE 2011



 

A LENDA DA MÃE
Merlânio Maia



Mãe é tesouro sagrado

Que Deus botou nesse mundo
Fulgor dos céus oriundo
Trazido ao lodo da Terra
Toda mãe tem uma linha
Direta com o Criador
              Pois só ternura e amor
              O seu coração encerra


Dizem até que quando o homem
Criou-se das mãos de Deus
Ao ver os caminhos seus
Escutava do Divino:
- Pra Terra te enviarei
Muito frágil chegarás
Mas lá iniciarás
As lutas do teu destino





Derramarás muito choro
Pisarás pedra e espinho
Duro será teu caminho
Na busca da perfeição
Porém lá não estarás só
Antes mandarei alguém
Será teu Anjo do bem
A te dar o coração





E eis que te receberá
Enfrentando a própria morte
Um Anjo amoroso e forte
Pra toda necessidade
Seu seio há de te nutrir
Te fará andar, falar,
Sonhar e te preparar
Para ter felicidade





Fará todo sacrifício
Pra que tenhas segurança
Viverá da esperança
Será a tua guarida
Meu caminho ensinará
Velando em noite inteira
Sobre tua cabeceira
Pra te ver feliz na vida





E o homem encorajado
Logo indagou ao Senhor:
- Oh! Meu Deus, meu Criador
E quem tanto amor encerra,
Que Anjo será por mim?
E assim falou-lhe o Senhor
- Seu nome aqui é AMOR
Pra ti será MÃE na TERRA!

Fonte: BLOGGER: POESIA POPULAR NORDESTINA




ORIGEM DA CANTORIA, DO CANTADOR E DA VIOLA


ORIGEM DA CANTORIA, DO CANTADOR E DA VIOLA - A nossa poesia popular floresceu em Provença, sul da Franca, no Século XI, através dos trovadores Regréis e Jograis. Na Espanha a poesia floresceu através dos palacianos. Foi em Homero, maior dos rapsodos, cantando as façanhas de Ulisses diante de Circe e do gigante Polifemo, que Virgílio encontrou a fonte inspiradora para a realização de sua obra monumental. Eram os trovadores da Provença, que levaram a alegria aos senhores feudais, enclausurados nos seus castelos de guerra. Enfim, foi Dom Diniz, maior monarca da Dinastia de Borgonha, que se proclamou discípulo dos provinciais, em suas cantigas de amigo e de amor. Todavia, ninguém melhor do que o poeta Antônio Ferreira, de Portugal, falou de sua grandeza, quando disse: Regeu, edificou, lavrou, venceu, honrou as musas, poetou e leu". A fusão da poesia local portuguesa com a poesia dos Trovadores Jograis de Provença fez surgir novas formas poéticas de linguagem de seus famosos poetas: João Soares de Paiva, Paio Soares de Traveiros e outros. "Mas, coube ao Brasil o privilégio do aparecimento do legitimo cantador de Viola, com Gregório de Matos Guerra, que deixava a Universidade de Coimbra fazendo verso* de protesto a direção daquele estabelecimento de ensino. Nascido na Bahia, no Sec. XVII e o primeiro doutor brasileiro. Seguido pelo Padre Domingos caldas Barbosa, que, também, improvisava ao som da viola". (1). A poesia, atravessando a fase colonial, veio alcançar seu apogeu na pequena Paraíba de Augusto dos Anjos e de José Américo, pois quiseram as divindades do Olimpo que, naquele torrão, bendito pelas sacrossantas musas di longínquo Parnaso, nasceram os maiores cantadores que tem notícia na história do folclore nacional. "No Nordeste, os jesuítas catequizavam por meio da poesia por ficar mais fácil de conservar a mensagem na memória, seguindo assim o estilo da Grécia Antiga". (2). Ninguém melhor do que o cantador, pode sentir a variedade de quadros de que o cotidiano nos apresenta. Traz dos sertões para as cidades o retrato da natureza, na sua expressão criadora, bem como o do rigor que castiga dentro de suas leis imutáveis. No entender de alguns estudiosos (intelectuais) o cantador tem uma imagem completamente distorcida da sua formação verdadeira. Isto porque já foi registrada a presença de cantadores caracterizados de vaqueiros, por incumbência de pessoas que fazem folclore com pouca profundidade no assunto. Então havemos de concluir que o cantador, o legítimo repentista, e o mais feliz dos imortais, porque seu mundo não é o da maldade, não é do egoísmo, e, sim, o doce paraíso das imaginações criadoras. Citaremos a sábia e patriótica expressão de Antônio Girão Barroso, conhecido escritor cearense: "Ai do país que abandona as raízes da cultura". A cantoria de versos* improvisados ao som da viola é uma arte que floresceu no meio rural do Nordeste, especialmente no sertão, e que só aos poucos vem conquistando público das grandes cidades. A razão principal desse fato e possivelmente, o número crescente de pessoas que se deslocam do interior para as metrópoles em busca de melhores condições de vida, e levando consigo hábitos culturais profundamente enraizados. "No começo deste século, a figura tradicional do cantador era a do indivíduo de inteligência aguda, escassas condições financeiras, muitas vezes analfabetos ou pouco letrados, cantando de feira em feira seus versos* geniais que garantiam a própria subsistência". (3). Embora o tema - nomes e datas fundamentais em torno dos poetas populares no Nordeste - já tenha sido rastreado por numerosos autores, vamos resumir o que Atila de Almeida condensou, a propósito, em recente ensaio intitulado "Réquiem para a Literatura Popular em verso*, também dita de cordel", in "Correio das Artes", João Pessoa, 01.08.1982. "1830 é considerado, historicamente, o ponto de partida da poesia popular nordestina. Em torno dessa data nasceram Urgulino do Sabugi - o primeiro cantador que se conhece - seu irmão Nicandro, ambos filhos de Agostinho da Costa, o Pai da Poesia Popular". (4). Nascidos na Serra do Teixeira (PB), entre l840 e 1850, foram seus contemporâneos os poetas Germano da Lagoa, Romano da mãe D'Agua e Silvino Pirauá. E já contemporâneos destes, Manoel Caetano e Manoel cabeleira. São os mais antigos cantadores conhecidos, todos chegando a década que se iniciou em 1890. A década que começou em 1860 viu nascer grandes nomes, como João Benedito, José Duda e Leandro Gomes de Barros. Mais adiante, na década que se iniciou em 1880, nasceram Firmino Teixeira do Amaral, João Martins de Ataíde, Francisco das Chagas Batista e Antônio Batista Guedes. Diferente do que acontecia em qualquer parte do Brasil, sabe-se que no Nordeste, o cantador independia de acompanhamento. No fim de cada pé, terminando-se cada linha do verso*, dava um arpejo na viola ou rebeca. Entre um verso*(estrofe*) e o seguinte, entoado pelo antagonista executava-se algum trecho musical, alguns comparsos. "Os velhos cantadores do Sertão Nordestino do Brasil só tocavam as violas ou soavam os pandeiros nos intervalos dos cantos. Desafio* simultaneamente acompanhado da viola é posterior a 1920 " (5). " Nossos repentistas, cantadores e poetas populares, foram, no entanto, até cerca de 1920 ou de 1930, uma expressão de intelectuais dos sítios, das fazendas, das vizinhanças, do mundo em que vivera. Os desafio*s dos violeiros são tão velhos quanto o mundo" (6). A viola, como as demais criações do homem, tem sua presença marcante desde sua criação, até os dias atuais. A viola é um instrumento de caráter onomatopáico*, embora haja quem lhe atribua origem germânica. É a designação genérica de uma família de instrumentos de corda, tocados com arco de crina, produzindo som mais melancólico, menos claro e de timbre nasal. O primeiro instrumento do cantador sertanejo parece ter sido a viola, menor que o violão (guitarra espanhola), do qual não há notícia, entre nós, antes do Sec. XVIII. A viola de pinho, viola de arame, com 5 ou 6 cordas duplas, é citada entre outros aqui, pelo Padre Fernão Cardim. Antigamente, depois de cada vitória o cantador amarrava uma fita colorida em suas cravelhas*. Entre os poetas populares, ainda preserva-se algumas superstições quanto ao uso da viola. Diz-se que esse instrumento sofre a influência da lua. Na lua nova e na força da lua não se guarda viola afinada, porque ela pode ficar corcunda, entortar e rebentar as cordas. Madeira para viola deve ser cortada nos meses que não tem "r": maio, junho, julho e agosto, e na minguante, para nunca apanhar caruncho* . Há um certo consenso entre os cantadores, que o repentista que se preza não carrega viola debaixo do braço, e sim, na mão, segurando-a pelo braço. A viola é uma mulher e quem sai com ela na rua, a leva de braço dado. A axila é lugar de escorar a muleta e não a viola, que carregada debaixo do braço fica reumática, não afina mais, fica mancando das cordas. A viola foi difundida na Europa no Sec. XIV. Ela surgiu depois da rebeca* medieval e antes da atual família de violinos. É possível que tenha sido o primeiro instrumento de cordas que o Brasil conheceu, importado de Portugal. Os jesuítas a empregavam nos seus trabalhos de catequese junto com o pandeiro, tamborim e a flauta de madeira. Lendo a antologia de nossos poetas populares, constatamos que somente três cantadores, não apropriavam-se do recurso da viola: Inácio da Catingueira( Manoel Luis de Abreu), negro, ex-escravo; e Fabião das Queimadas ( Fabião Hermenegildo Ferreira da Rocha), norte-riograndense, que cantaram no século passado, utilizando um pandeiro e Cego Aderaldo (Aderaldo Ferreira de Araujo), que cantava acompanhado ao som de sua rabeca* . A cantoria quase sempre dura duas horas, as vezes até noites inteiras. Geralmente, o desafio* se desenrola num tremendo duelo, numa verdadeira briga poética, cuja arma o verso* rápido, gracioso e pitoresco, cheio de vivacidade e vigor. Os cantadores do Ceará e dos Estados Nordestinos, diferem muito dos cantadores de outras regiões do país, pelas modalidades que adotam e pela melodia que acompanham os seus repentes, ao calor das pelejas*. "Nas festas populares, nos festejos folclóricos é indispensável a presença desses trovadores, um dos pontos altos do folclore cearense". (7). CONCEITO DE CANTADOR - VISÃO DOS MESTRES Silvio Romero, foi o nosso primeiro homem de letras a se interessar pelos motivos populares, inserindo em livros e lendas, as superstições, os cantos e contos populares no Brasil. Segundo ele, o cantador é homem de poucas letras, rústico, sem conhecimento de gramática ou quase sempre analfabeto; e o cantador violeiro, intérprete fiel, dos costumes, das histórias e do heroísmo de seu povo, esse audaz e intrépido povo nordestino. Na visão de Luís Câmara Cascudo, que tem dedicado a maior parte de sua vida ao folclore, assim define cantador: - "Representantes legítimos de todos os bardos menestréis". Gustavo Barroso, falando sobre a poesia popular, afirma " a poesia é sempre obra de indivíduos cultos ou semicultos, que desce ao povo, se batiza nas águas lustrais de seu oralismo e se espalha pelo mundo como um pólen fecundante". Manoel Bandeira, nome respeitabilíssimo de nossas letras, confessa-se humilde, diante do cantador, conforme registro que fez em seu livro estrela da Tarde: " ... que poeta é quem inventa em boa improvisação, como faz Dimas Batista e Otacílio, seu irmão, como faz qualquer violeiro, bom cantador do sertão". Guilherme Neto conceitua os cantadores, ou violeiros repentistas, são cantores populares, os geniais poetas e versejadores do sertão. Andam sempre em duplas, com a viola dentro de um saco, muitas vezes a pé, ruminando o debate, preparando perguntas, arrumando as idéias, dando asas a imaginação. "cantador ou simplesmente repentista - poeta popular da região nordestina, que ao som da viola, duplado, decantam seus versos*, encantando os rincões brasileiros". (15). Na concepção de Leonardo Mota (Dr. Leota), anos a fio empreendeu várias excursões pelo "interland* cearense ", vendo de perto, anotando e escrevendo as mais belas sugestivas páginas do folclore brasileiro, como sendo a figura do cantador violeiro, o representante legítimo do povo nordestino - são os poetas populares que perambulam pelos sertões, cantando versos* próprios e alheios; mormente os que não desdenham ou temem o "desafio*", peleja* intelectual em que, perante o auditório, ordinariamente numeroso, são postos em evidência os dotes de improvisação de dois ou mais vates matutos. Segundo Luis Wilson, o cantador é como o rapsodo canta acima do tom em que o instrumento é afinado e abusa dos agudos. É uma voz hirta, dura, sem sensibilidade, sem floreios, sem doçura. Canta quase gritando, as veias intumescidas pelo esforço, a face congesta, os olhos fixos para não perder o compasso, não musical, que para eles é quase sem valor, mas a cadência, o ritmo, que é tudo. No entendimento de Pedro Ribeiro, no livro intitulado: "Nos Caminhos do Repente", de sua autoria, equivale dizer cantador ou violeiro, para definir como sendo o representante máximo do repente. Com invulgar poder criativo, os menestréis do passado ampliaram consideravelmente o acervo do repente com a criação de novos estilos. Na visão de Orlando Tejo, no livro: "Zé Limeira, poeta do absurdo", sintetiza o que vem a ser cantador: Os cantadores constituem imensa legião de homens que amam, sonham, sofrem e brincam de viver no mundo, pescando estrelas, caçando ilusões, plantando tardes, colhendo auroras, levando a sua imagem sutil e profunda, tímida e vigorosa ao povo ávido de poesia que os ouve embevecido. Inúmeras são as conceituações desses rapsodos da poesia nordestina, se levarmos em consideração a expressão literal da palavra e a função desses mensageiros do improviso e da felicidade. A pesquisa não deteve-se muito a outras concepções de pesquisadores de cultura popular, por considerar que o assunto será bastante enfatizado nas páginas seguintes da monografia, procurando mostrar a importância do poeta-repentista do nordeste brasileiro. ESTILOS DE CANTORIAS Origem de alguns gêneros e outros estilos de cantoria A região nordestina assinalada pelo estigma da seca, marcada no quadro dantesco do sertão adusto, com suas árvores atrofiadas e nuas, é a terra onde nascido e vivido, sofrendo e cantando, os maiores valores da poesia popular, expoentes da inteligência inculta, mestres consumados nos repentes, insuperáveis nos improvisos. Diversos são os gêneros da poesia popular do nordeste brasileiro. Além de vários gêneros poéticos adotados pelo violeiro sertanejo, cantando só, ou alinhando em dupla para o desafio*. Estas não se acorrentaram a regras imutáveis, inexpressivamente sem vibração. Ao contrário, quase todas as formas vem evoluindo, adquirindo plasticidade, tomando feição renovadora, apurando o estilo, progredindo. Essas matizes, muitas vezes revelando um colorido cintilante, ostentando o poder imaginativo, comparativamente aos arranjos musicais celebrizando compositores, atestam o processo evolutivo, reformista, na arte de cantador nordestino, no decurso do século vigente. A cada estilo de cantoria, para tornar mais fácil ao leitor entender a sua conceituação, exemplificamos com glosas* e repentes de vates nordestinos, decantados na Região Jaguaribana. Entre as criações dos poetas clássicos, que vieram a ser usadas pelos nossos repentista, estão as modalidades a seguir especificadas: SEXTILHAS -Talvez, por ser mais fácil, seja o gênero mais preferido pelos nossos cantadores, principalmente no início das apresentações. Seu criador foi Silvino Pirauá Lima. A sextilha é uma estrofe* com rimas deslocadas, constituída de seis linhas, seis pés ou de seis versos* de sete silabas, nomes que tem a mesma significação. SETE LINHAS OU SETE PÉS - No inicio do século atual, o cantador alagoano Manoel  Leopoldino de Mendonça Serrador fez uma adaptação a sextilha, criando o estilo de sete versos*, também chamado de sete pés, rimando os versos* pares até o quarto, como na sextilha; o quinto rima com o sexto, e o sétimo com o segundo e o quarto. MOURÃO - Muito interessante é o Mourão, gênero que se canta em dialogo. Sua forma originaria, de seis versos*, foi substituída pela de cinco, ainda no século passado. O Mourão, na sua essência, conceitua-se como o desafio* natural. Gênero poético dos mais difíceis nunca desdenhado pelos nossos repentistas, ajusta-se  melhor a denominação de trocadilho, porque, em dialogo, os articulistas se revezam nos versos* e nas estrofes*. Exemplificamos aqui, apenas uma de suas variantes, no caso, "o mourão voltado". DÉCIMA - embora de origem clássica, é a décima um estilo muito apreciado, desde os primórdios da poesia popular, principalmente por ser o gênero escolhido para os motes, onde os cantadores fecham cada estrofe* com os versos* da sentença dada, passando a estância a receber a denominação de glosa*. GALOPE A BEIRA MAR - Gênero muito apreciado pelos apologistas da poesia popular, juntamente com o martelo, recebeu a denominação de décima de versos* compridos. O galope e assim chamado em virtude de ser empregado mais em temas praieiros. Foi criado pelo repentista cearense "Zé Pretinho", natural da cidade de Morada Nova. TOADA ALAGOANA - é um gênero pouco usado, porém muito bonito, em virtude das rimas encadeadas de forma agradável a toada. REMO DA CANOA - Estilo originário das emboladas de côco, recentemente adaptado para as cantorias de viola, uma inovação do poeta repentista Ivanildo Vilanova. Sua toada melodiosa é muito bonita e suave, sendo bastante apreciada pelos apologistas da poesia popular. BRASIL CABOCLO - Considerado um dos estilos mais preferidos pelo repentista nordestino. Consiste em uma estrofe* de dez versos* de sete sílabas, semelhante ao estilo da décima, isto é, seguindo o mesmo sistema das estrofes* de dez linhas. MARTELO AGALOPADO - O martelo atual, criação do genial violeiro paraibano Pirauá Lima, e uma estrofe* de dez versos*, em decassílabos, obedecendo a mesma ordem de rima dos versos* da décima. Todavia, sua denominação não vem do fato de ser empregado como meio de os cantadores se martelarem durante suas pugnas*. Sua significação esta ligada ao nome do diplomata francês Jaime de Martelo, nascido na segunda metade do Sec. XVII, que foi professor de Literatura da Universidade de Bolonha, portanto, o criador do primeiro estilo. O BOI DA CAJARANA - A transformação de mote em estilo da cantoria tem sido a principal criação da Literatura de Cordel Oral, nas últimas décadas do século XX.De autoria de Ivanildo Vilanova e Adauto Ferreira, originou-se do mote: "Eu quero o boi amarrado/No pé da cajarana. A consagração do estilo foi muito rápida, mesmo com a quebra da métrica no segundo verso* do mote. O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS - Derivado da décima, O Que é Que Me Falta Fazer Mais, é um mote decassílabo, que transformou em gênero pela extraordinária aceitação popular. Rico em conhecimentos e doce em musicalidade, tende a permanecer por muito tempo, na primeira linha da preferência dos amantes da cantoria. GEMEDEIRA - Pela própria denominação do gênero, vemos que serve para temas gracejantes. É a gemedeira um estilo de poesia, caracterizado pela interposição de verso* de quatro, ou, raramente duas silabas, entre a quinta e a sexta linha das sextilhas, formado pelas interjeições: " ai e ui! ou ai! hum! Esse estilo, geralmente é cantado de forma jocosa e humorística. QUADRÕES - ao longo do tempo, o quadrão tem sido o gênero a receber o maior numero de alterações, não só na sua forma interna, mas, também, na estrutura das estrofes*, em geral. REBATIDO - É originário da oitava com versos* septíssilabos. Os versos* dois e quatro terminam, obrigatoriamente com "ido", para rimar com estribilho "No oitavão rebatido", na última linha da estância. DEZ PÉS DE QUEIXO CAÍDO - este gênero, ainda em voga, esta incluído na décima, apresentado, no final de cada estrofe*, este estribilho: " Nos dez de queixo caído". ROJÃO PERNAMBUCANO - Diz-se de uma estância de dez versos* heptassílabos nos dois últimos versos*, repetidos pelos cantadores. Esse gênero foi gravado pelos cantadores Ivanildo Vilanova e Severino Feitosa. ROJÃO QUENTE - É mais uma das recentes criações originárias do mote, que vem, ultimamente, oferecendo novos estilos ao já expressivo acervo do repente. Coqueiro da Baia/quero ver meu bem agora/quer ir mais eu vamos/quer ir mais eu vambora. A obrigatoriedade de metrificação é apenas para a sextilha, que utiliza versos* sete sílabas, com a CANTORIA mesma métrica e acentuação. Estilo bastante utilizado para encerrar as cantorias. Não há na Literatura Popular Nordestina, uma divisão clássica da cantoria de viola, propriamente dita, dentro do seu aspecto conceitual. Consultando diversos autores do gênero, concluímos que nas cantorias de Literatura Oral do Nordeste, encontramos dois tipos de poesias; um, tradicional que está sempre na memória dos cantadores, e que serve justamente para encher o tempo, denominada de "Obra Feita"; outro, é o improvisado, é o repente, o verso* do momento, dito face um fato momentâneo, ou a propósito de uma pessoa presente. Este último é o autêntico improviso, muito comum, sobretudo no desafio*. Conversando com poetas-repentistas e apologistas da poesia matuta, foi possível identificarmos os tipos de cantorias mais utilizados da atualidade, sem prejuízo do conceito retro-citado. Essas conceituações, podem ser modificadas, é lógico, com um estudo mais acurado sobre o assunto. A divisão abaixo, a nosso modo, parece ser a que mais retrata a realidade presente, sem contudo, perder a essência da poesia decantada e improvisada ao som da viola. (Ouvindo atentamente as pessoas consultadas, constatamos que a cantoria pode ser classificada em seis variantes a seguir: I) Pé de Parede; II) Dos Compadres; III) Especial; IV) Ocasional; V) Convencional; e VI) De Feira. Para melhor entendimento do leitor, procuramos definir cada uma das modalidades, consoante declarações dos entrevistados, objetivando dar uma noção geral das variedades de cantorias no Nordeste Brasileiro. 1) Cantoria "Pé de Parede" - Essa modalidade freqüentemente utilizada, após o término dos festivais de violeiros. Os poetas-repentistas são solicitados para fazerem suas apresentações para um pequeno número de apologistas admiradores da poesia matuta. Geralmente, apresenta-se duas ou mais duplas, com a utilização da famosa bandeja*. É chamada Pé de Parede, pois, os cantadores ficam encostados em uma parede, sentados em duas cadeiras, sem recurso de som ou palco de cantoria. 2) Cantoria dos Compadres - É a forma que está mais sendo utilizada atualmente. O cantador aproveitando o espaço radiofônico de seu programa, para marcar cantoria com compadre, amigo e/ou parente próximo, de livre e espontânea vontade, sem o prévio entendimento com o dono da festa. Essa foi a única maneira que o repentista encontrou para realizar as suas cantorias. 3) Cantoria Especial - Como o próprio nome diz, ela é realizada em circunstâncias especiais. É muito comum esse tipo de cantoria em festas de casamento, batizado, bodas de ouro, aniversário, etc. O promovente contrata os poetas-repentistas por um preço justo e convida amigos e parentes das localidades próximas a se fazerem presentes a festa. 4) Cantoria Ocasional - É pouco usual nos dias atuais, todavia, ainda é praticada em algumas regiões do país. É aquela em que o cantador viajando; chegando a um determinado lugar, pede autorização ao dono da casa para realizar uma cantoria. Este, aceitando o pedido, responsabiliza-se por convidar amigos e vizinhos da localidade, para assistirem a peleja*. 5) Cantoria Convencional - É a chamada famosa cantoria tradicional. Com o advento da televisão, do rádio, do cinema, etc., se não houver um incentivo por parte dos órgãos competentes, tende a desaparecer com o passar dos tempos. Consiste na porfia* em que o promovente convida os poetas-repentistas para decantarem em sua residência, por uma quantia pré-estabelecida entre as partes, para uma platéia de apologistas presentes ao embate-poético. Essa gradativamente está sendo substituída pela cantoria dos compadres. 6) Cantoria de Feira - É aquela em que seu desenlace se dá em feiras livres ou em botecos e bares adjacentes. Muito embora seja bastante utilizada por alguns violeiros, no entanto, não é apreciada pela maioria dos menestréis da viola. Essa forma de cantoria é muito criticada pelos cantadores profissionais, pois, consideram um desagravo a profissão de cantador, haja vista, que a noção que se tem é que essas pessoas cantam seus verso*s por uma quantia ínfima de dinheiro, prejudicando os grandes talentos da poesia popular



HOMEM FRACO NÃO AGÜENTA PROVOCAÇÃO DE VIZINHA!


UARTA-FEIRA, 27 DE JULHO DE 2011


HOMEM FRACO NÃO AGÜENTA
PROVOCAÇÃO DE VIZINHA
Autor: Daudeth Bandeira

Com a Bíblia e um rosário
Procurei um reverendo
E fui logo lhe dizendo:
- Escuta aqui seu vigário
A um confessionário
Há muito tempo eu não vinha
Porque motivo não tinha
Mas hoje um me atormenta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

Eu não bebo, não namoro
Também não tenho complexo
Mas, porém, filme de sexo,
Me perdoe padre, eu adoro
E lá na rua em que eu moro
Mora uma comadre minha
De juízo de galinha
E a traseira de jumenta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

No Altar da Santa Madre
Não nego os pecados meus
Seu padre, eu pensava em Deus
Agora é só na comadre
Precisa de ver, seu padre
Como é que ela caminha
E no banco da pracinha
Como é que ela se senta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

A mulher é tão faceira
Que quando chega da praia
Tira a blusa, tira a saia
E se escorna numa cadeira
Uma perna em Mangabeira
Outra lá em Camboinha
E é nessa brincadeirinha
Que o caboclo se arrebenta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

Entre as casas minha e dela
Há uma meia parede
Igual a um touro com sede
Eu olhava ontem pra ela
Ela chegou na janela
Esticou uma cordinha
E estendeu uma calcinha
Roçando na minha venta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

O padre aí perguntou:
- E ela tem as pernas grossas?
- Dão três ou quatro das nossas,
Seu Vigário, já pensou?!
A tez é de um bibelô
Nunca nasceu uma espinha
Todos desejam a boquinha
Dos seus lábios de polenta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

O padre fez um sorriso
E falou com água na boca:
- Vou confessar essa louca
E vou com ela ao paraíso
Diga a ela que eu preciso
Falar com ela à noitinha
Ela me espere sozinha
Que eu chego as doze e quarenta
Homem fraco não agüenta
Provocação de vizinha

E você, seu deletério,
Seu maníaco, seu tarado,
Vá rezar ajoelhado
No portão do cemitério
Pra cada santo um mistério
E uma salve rainha
E a cada ladainha
Acenda uma vela benta
Que depois você agüenta
Provocação de vizinha!

Fonte: BLOGER: POESIA POPULAR NORDESTINA